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domingo, 11 de outubro de 2009

Páginas em Branco

Escrito em páginas em branco
Um livro que ninguém consegue ler.
E o que sobra é o silêncio...
Que se faz quando alguém pergunta e não se sabe responder

O que fazer com isso tudo?
O que pensar sobre ninguém?
Para onde vamos?
É preciso saber

E assim sempre foram as vidas...
perdidas em si mesmas.
Conhecemos todo o mundo,
mas nunca tivemos coragem de visitar a nós mesmos.

Tantas coisas.
Entre elas, sempre perdidos.
Somos o vulto dos nossos próprios inimigos
Somos os vultos daquilo que fomos um dia...
Até o dia em que descobrimos que estamos engaiolados em nossos próprios medos
Em nossos próprios sentidos.

Páginas em branco.
Um livro nunca lido.
Aqui não adianta conhecer tudo,
ou saber muito.

Onde nada se pode ver,
onde esconderam as letras,
onde tudo é igual a nada,
só resta fechar os olhos para tentar ver.

Aqui só resta quem nunca tivemos coragem de visitar.
Aqui só resta a chance que deixamos para trás.
Só sonhos e pesadelos.
Páginas em branco, o que não escrevemos
Por medo ou por simples descaso


Raphael Rodrigues

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A SOMBRA DE UM SER.

Memórias avulsas
numa mente perdida em volúpias.
Sustos, medos, torturas...
e um olhar cansado –
de quem morre de tédio.
Sentidos aguçados
para nada sentir,
para com nada deliciar-se.
Aqui só resta o vazio
sem gosto, sem rosto
sem cheiro e sem voz.
O que nos sobra?
O que nos falta?
O que nos resta,
neste mundo de promessas?
Ninguém sabe responder,
nem mesmo sabe questionar.
Aqui jaz a alma,
e sustenta-se o silêncio
de um mudo que se calou
antes mesmo de aprender a falar.
Sozinho o ser
opaco e abatido,
a boca fechada, a mente vazia.
Só o coração ainda bate,
não se sabe o porquê.